quinta-feira, março 01, 2007

Ode ao Amor!

Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de
verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar
sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de
prática.(...) Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de
antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".

(...). A paixão, que devia
ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão
prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de
verdade,ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do
amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas,farto
de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão
embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia,são
uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem,tudo
bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos,
bananóides,borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se
apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o
desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a
comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não
é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a
pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso
"dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e
descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se
vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a
loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.

Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.

O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para
nos fazer felizes. Tanto pode como não pode.Tanto faz.

É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos
levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno
aberto.

(...) O amor puro não é um meio, não é um fim, não é
um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver
com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para
perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a
nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha,
não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é
necessária.

A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais
bonito que a vida. A vida que se lixe.
Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém.

Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração
guarda que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando
não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, oamor
que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se
ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver
sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder.

Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Miguel Esteves Cardoso - in Expresso; in “O Amor é Fodido”


P.S-Obrigada lucy, adorei o mail :p

Tenho de ler o livro...

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Hoje II...

Hoje queria sorrir um bocadinho mais...

Viver um bocadinho mais...

Beijar um bocadinho mais...

Queria talvez pensar um bocadinho menos...

Chorar um bocadinho menos...

Soluçar um bocadinho menos...

Hoje no fundo queria sonhar um bocadinho mais...

Dançar um bocadinho mais...

Cantar um bocadinho mais...

Queria talvez dar um bocadinho menos...

Sentir um bocadinho menos...

Amar um bocadinho menos...

Hoje... Hoje... queria simplesmente ser Eu...

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

O fim...


O fim de um ciclo potencia o início de um novo ciclo...

As coisas más que nos acontecem agora potenciam o

aparecimento de coisas boas no futuro...

Será?

Fico à espera...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O Destino!!


“Nem mesmo os deuses lutam contra o destino”, diz Pítaco... Será que tal como eles nós aceitamos o destino que nos aparece sem o contestarmos? Será que realmente ele já está traçado? Pior... Será esse traçado definitivo? Ou poderemos nós interferir?

Por vezes perco-me a pensar se realmente alguém transcendente já o traçou...

E que ele irá decorrer sem incidentes tal como foi planeado... Outras recuso fortemente essa hipótese e sei que o meu destino depende de mim...

Do meu esforço, da minha vontade, da minha consciência... Porque eu sei o que quero e o que posso fazer para o conseguir...

Mas em determinadas alturas da vida, quando tudo decorre mais ou menos bem chegamos a uma encruzilhada e temos de decidir qual das ruas seguir...

Cada uma delas levando-nos por um caminho diferente, uma solução diferente... Será que essa escolha já está prevista?

Ou será que ela irá desencadear uma nova linha do destino?

E se pudessemos voltar atrás e mudar uma escolha? Iria isso interferir como o que estaria programado?

No fundo a questão que se coloca é: Seremos nós os verdadeiros donos das nossas vidas? Ou deixamos que o destino as controle... Sem lutar, sem resistir, sem persistir...

Claro que por vezes é mais fácil culpar o destino do que a nós próprios...

Mas será mesmo essa a razão que conduz à consequência??

Sim pergunto a mim própria se realmente alguém rege a minha vida por mim? Se sim... Porque raio é que me deixa tomar as atitudes erradas??

Porque raio me deixa chegar ao ponto em que digo: não sei o que fazer nem como o fazer?

Se não... Bem... muita coisa se explica... Nós cometemos erros... Está na nossa natureza... Não somos perfeitos... As arestas por limar são mais que muitas... E são esses pequenos defeitos que nos guiam na tomada de decisões... É por isso que por vezes não tomamos a decisão certa...

Sim... Tal como Claúdio Ápio, prefiro acreditar que “Cada um é criador do seu próprio destino”... Que cada um pode desviar a sua rota... Que são as atitudes que temos que o constroem... que o traçam... que o criam

Mas sim... também gosto de pensar que certas coisas acontecem porque... bem... está no nosso destino...:D

sábado, fevereiro 10, 2007

Último Acto em Lisboa! - Robert Wilson

“Um banco português é fundado com capital de pilhagens nazis.
Mais de meio século depois uma adolescente é assassinada em Lisboa.
1941. Klaus Felsen, obrigado a deixar a sua fábrica de Berlim e a alistar-se nas SS, chega a uma Lisboa iluminada para a mais estranha festa da História, onde nazis e Aliados, refugiados e especuladores dançam ao compasso do oportunismo e do desespero. A missão de Felsen leva-o às desoladas serranias do Norte, onde está a ser travada uma luta traiçoeira e sem quartel por um elemento vital à blitzkrieg de Hitler. Aí encontra o homem que põe em movimento a roda de ambição e vingança que continuará a girar até ao fim do século.
Final dos anos 90, Lisboa. O inspector Zé Coelho, um inconformista no mundo fechado da Polícia Judiciária, investiga o assassinato duma adolescente com um inquietante passado sexual. Seguindo as pistas vai revolver o solo escuro da História e encontrar velhas ossadas. A revolução de 1974, ainda fresca na memória, não pôs fim a todas as injustiças do regime fascista.
Mas há uma injustiça maior e mais antiga da qual este crime é a atroz reparação, e no seu último esforço para desenterrar a verdade, Zé Coelho tem de enfrentar a mais frustrante das oposições.”



Para mim, um policial literário, complexo e absolutamente arrebatador...
Retrata perfeitamente Portugal durante os ultimos 60 anos mostrando a desilusão e a miséria no final da 2ª Guerra mundial, o oportunismo e a cobiça nos anos seguintes, a economia frenética pós 25 de Abril e a desilusão seguinte à adesão à U.E..

Um triller fantástico...
A Lisboa de ontem e de hoje descrita segundo um fio condutor que nos conta a história de um crime que começou a ser desenhado em Berlim... Composto por personagens ricas e complexas, pleno de surpresas...
Simplesmente brilhante...

Vencedor do Prémio para Melhor Policial em 1999...

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Hoje...

Hoje queria amar-te um bocadinho mais...

Beijar-te um bocadinho mais...

Sentir-te um bocadinho mais...

Queria talvez perder-te um bocadinho menos...

Chorar-te um bocadinho menos...

Esquecer-te um bocadinho menos...

Hoje queria querer-te um bocadinho mais...

Abraçar-te um bocadinho mais...

Desejar-te um bocadinho mais...

Queria talvez ter-te um bocadinho menos...

Pedir-te um bocadinho menos...

Não fundo... tocar-te um bocadinho menos...

Hoje... hoje... queria simplesmente querer-te...

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Se há dia que não gosto...

E mais uma vez aproxima-se um dia amplamente comemorado... Adivinhem... O Dia dos Namorados... Devo confessar que é dos dias que mais detesto... Se bem que o que realmente detesto é o tempo todo de preparação para esse dia...

Corações cor de rosa e vermelhos, balões e peluches populam nas montras dos estabelecimentos deixando enjoados os transuentes que inadvertidamente olham para essas mesmas montras... Eu pelo menos fico... Como se os outros dias não pudessem ser dedicados aos namorados...

Não será estúpido esperar por aquele dia, que só ocorre uma vez por ano, para mostrar à pessoa amada que gosta dela? Porque esperar que chegue a Fevereiro para lhe dar uma flor? Ou para fazer um jantar romântico? Ou mesmo para tirar o dia para estar com ela??

Será que nos outros dias do ano não se deve mostrar às pessoas que são importantes para nós?? Eu acho simplesmente esse dia dispensável... Ridículo mesmo... Uma perda de dinheiro e de esforço....

Para mim conta muito mais um gesto destes que descrevi quando feito noutra altura do ano... Aparentemente sem motivo... Fico muito mais comovida... Mais agradada... Tem muito mais significado porque foi dado com o coração e não porque se deve dar...

Bah!! Tirem-me estes corações todos da frente...

Espero que passe depressa... entretanto lá vou ter de me habituar às montras...

P.S – Quanto ao assunto do momento só tenho a dizer: Quer votem Sim, quer votem Não, ao menos votem... Exerçam o vosso direito que é também um dever cívico...

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Porquê?

Porque sim...

Porque me apetece...

Porque eu quero...

Porque eu posso...

Simplesmente...porque...

domingo, fevereiro 04, 2007

Adoro este Poema!!

Angústia


Tortura do pensar! Triste lamento!
Quem nos dera calar a tua voz!
Quem nos dera cá dentro, muito a sós,
Estrangular a hidra num momento!

E não se quer pensar!... e o pensamento
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós...
Querer apagar no céu - ó sonho atroz! -
O brilho duma estrela com o vento!...

E não se apaga, não... nada se apaga!
Vem sempre rastejando como a vaga...
Vem sempre perguntando: "O que te resta?..."

Ah! não ser mais que o vago, o infinito!
Ser pedaço de gelo, ser granito,
Ser rugido de tigre na floresta!

Florbela Espanca

O primeiro que li dela e o primeiro que me lembro de ter gostado verdadeiramente... E foi assim que começei a adorar Florbela Espanca... “A visão que alguém sonhou...”

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Gosto vs Não Gosto

Gosto... do sol a bater-me na cara num dia de inverno...

Gosto... da chuva a cair lá fora, estando eu quentinha em casa com um copo de leite e um bom livro no regaço...

Gosto... de chocolates de trufa, do seu gosto, da sua textura, da sua doçura amarga...

Gosto... de filmes que me façam chorar, seja de emoção seja de medo(ihihih)...

Gosto... de sentir um abraço quando estou triste...

Gosto... de um beijo carinhoso...

Gosto... de sentir a meiguice de um olhar...

Gosto... da verdade acima de tudo...

Gosto... das orquídeas selvagens...

Gosto... do mar a bater-me nos pés...

Gosto... dos pássaros a cantarem na minha janela todos os dias...

Gosto... da água a escorrer-me pelo corpo...

Gosto... da Lua

Vs

Não gosto... de estar triste... não lido bem com a tristeza...

Não gosto... que me mintam... Mil vezes a dolorosa verdade... Mesmo sendo um “não te curto”...

Não gosto... de rebuçados que se colam ao céu da boca...

Não gosto... que mexam nas minhas coisas sem pedir (vícios de filha única)...

Não gosto... de melgas (em todos os sentidos...)...

Não gosto... de ver crianças a sofrer... Fico com o coração partido... principalmente se não puder fazer nada...

Não gosto... que desconhecidos me toquem (principalmente quando saio...)...

Não gosto... de magoar os outros...

Não gosto... que me tentem controlar... Fico possessa...

Não gosto... do sabor amargo das lágrimas...

Não gosto... quando troveja... tenho medo...

Não gosto... de estudar o código da estrada...

segunda-feira, janeiro 29, 2007

A alma...

“Se protegerdes com demasiada devoção o jardin secret da tua alma, ele pode facilmente começar a florescer de um modo excessivamente luxuriante, transbordar para além do espaço que lhe estava reservado e tomar mesmo pouco a pouco posse da tua alma de domínios que não estavam destinados a permanecer secretos. E é possível que toda a tua alma acabe por se tornar um jardim bem fechado, e que no meio de todas as suas flores e dos seus perfumes ela sucumba à sua solidão. “

Arthur Schnitzler, in 'Relações e Solidão'

Sim... Porque não devemos esconder o que nos vai na alma... Se guardarmos tudo para nós, mais tarde ou mais cedo sucumbimos... Mais tarde ou mais cedo vamos descobrir que, não sabemos o que realmente deve ser guardado e, o que realmente, deve ser expressado... Mais tarde ou mais cedo... Talvez mais cedo do que mais tarde...

sábado, janeiro 27, 2007

Aprisionada!

Mais uma vez encontro-me perdida... vagueio por entre as sombras... sigo as vagas que me perseguem... Sinto perto um turbilhão que me tenta submergir... É demasiado poderoso e as forças já me faltam...

Tento lutar... tento esbracejar mas não adianta... os seus tentáculos já estão espalhados por todo o lado... já me rodeiam o corpo e a alma... Apertados... Cerrados... Sem fuga possível...

Preciso de ar... preciso respirar... libertar-me destes “braços” que me prendem... que me impedem de respirar... no fundo que me fazem desesperar...

Sim... Preciso de luz... Preciso de algo... alguém... Talvez precise apenas de mim própria...

Talvez precise apenas de me encontrar... ali... ao longe...

Talvez... Sim!! Talvez eu me encontre e, aí sim, consiga cortar estas amarras... estes “braços” que me submergem...

Talvez aí consiga finalmente lutar... Gritar... Chorar...

Talvez aí consiga vencer...

Se me descobrir... se me encontrar...

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Hoje sou...


“O Grito” de Munch (1893)....

Tal como ele, só me apetece gritar até ficar sem voz...



terça-feira, janeiro 23, 2007

Será que estou?

Abri os olhos e mais uma vez não estavas aqui... A luz iluminava o quarto vazio...

Vazio de mim... vazio de ti... Só sombras por lá andavam... Sombras do passado... Sombras do que eramos... sombras do que fomos...

As paredes brancas estão nuas... vazias... solitárias... tal como eu... Sou a sombra do que já fui... Sou simplesmente eu... Sou um ser sozinho e errante...

Sem ti... Sem mim... Perdi-me algures no meio do “nós”... luto para me encontrar... sei que ainda estou lá... Sei que ainda vivo aqui...

Será que tu vives aqui? Será que eu ainda vivo em ti? E tu? Viverás tu, ainda em mim??

Perguntas... perguntas que a noite trás e a escuridão não responde...

Perguntas que ainda ecoam nas sombras errantes... Olho a lua... Talvez ela me responda...

Esperança vã! Ela não pode responder ao que nem eu própria sei... Ela não me pode encontrar por mim... Ela não me pode dizer onde estou...

Perdida... Lá longe... Ao fundo...

Onde estou? Onde estás?

No fundo, onde estamos!

domingo, janeiro 21, 2007

Uma pausa!!!

Beijemo-nos, apenas...

Não. Beijemo-nos, apenas,
Nesta agonia da tarde.

Guarda
Para um momento melhor
Teu viril corpo trigueiro.

O meu desejo não arde;
E a convivência contigo
Modificou-me - sou outro...

A névoa da noite cai.

Já mal distingo a cor fulva
Dosa teus cabelos - És lindo!

A morte,
devia ser
Uma vaga fantasia!

Dá-me o teu braço: - não ponhas
Esse desmaio na voz.

Sim, beijemo-nos apenas,
Que mais precisamos nós?

António Botto

quinta-feira, janeiro 18, 2007

E mais do mesmo:D

Literatura/Poesia:

Em 1929, os surrealistas publicaram um segundo manifesto e, editaram a revista: “A Revolução Socialista. Entre os artistas ligados ao grupo, em épocas variadas, estão os escritores franceses: Paul Éluard(1895-1952), Louis Aragon (1897-1982) e Jacques Prévert(1900-1977) e, a meu ver, deve constar desta lista o grande poeta (e pintor) português, Mário Cesariny (1923-2006) .

Devo confessar que, a literatura surrealista, não me atrai muito... Na verdade, penso que os sentimentos e pensamentos escritos conforme aparecem nas suas mentes, me parecem um pouco descoordenados e ilógicos... Mas, é como digo atrás: o movimento surrealista caracteriza-se mesmo por ser contra-lógica...

Mas quanto á poesia... bem isso já é outra história... Gosto bastante e, sempre que leio algum poema de Mário Cesariny, sinto-me transportada para uma outra dimensão... um outro mundo... Um mundo onde não há lugar para a lógica... Um mundo onde me perco nos sonhos que crio...

 “Faz-se luz pelo processo
de eliminação de sombras
Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria
não dum e doutro lado da luz mas do próprio seio dela
intensamente amantes   loucamente amadas
e espalham pelo chão braços de luz cinzenta
que se introduzem pelo bico nos olhos do homem
 
Por outro lado a sombra dita a luz
não ilumina   realmente   os objectos
os objectos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual não podemos contactar
senão como amantes
de olhos fechados
e lâmpadas nos dedos  e na boca”
 
                 Mário Cesariny (data e título desconhecido)

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Poesia Surrealista!

Sem título - 2001 - Mário Cesariny
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
 
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
 
                                                    Mário Cesariny (data desconhecida)



domingo, janeiro 14, 2007

Na literatura!

Art of Conversation - Magritte

Tal como referi anteriormente o Surrealismo encontra-se em quase tudo... Muitas vezes não reparamos mas, ele está lá... Subtil... Sereno... Apenas para alguns olhos... Apenas alguns podem detectar aquela pequena fronteira que separa a loucura do surreal...

Surrealismo na Literatura:

O principal teórico e líder do movimento é o poeta, escritor, crítico e, (pasmem...) psiquiatra francês, André Breton que, em 1924, publica o primeiro Manifesto Surrealista. No Manifesto e nos textos teóricos posteriores, os surrealistas rejeitam a chamada ditadura da razão e os valores burgueses como pátria, família, religião, trabalho e honra. Valores estes que eram visíveis em muitas das obras da época. O Humor, o sonho e a contra-lógica são recursos utilizados para libertar o homem da existência utilitária. Segundo a nova ordem o bom gosto e decoro devem ser subvertidas. Uma das principais ideias trabalhadas pelos surrealistas é a da escrita automática, segundo a qual, o impulso criativo se dá através do fluxo da consciência despejado sobre a obra. Assim, segundo esta definição, a arte não é produto de génios, mas de cidadãos comuns,

Na verdade a “mania incurável de reduzir o desconhecido ao conhecido, ao classificável, só serve para entorpecer cérebros.” (André Breton).

Infelizmente para eles o movimento foi bastante mal sucedido. Segundo António Fernando Borges, “O grande erro dos autores surrealistas foi justamente o de desconhecer a diferença estrutural entre o pensamento e a linguagem escrita: enquanto o pensamento é múltiplo, circular, simultâneo, a escrita é necessariamente linear e sucessiva. Realizar esta tradução, com o auxílio das técnicas e instrumentos adequados – eis o grande desafio da arte da escrita. E é isso que faz a diferença essencial entre um bom texto e um simples amontoado ("surrealista") de palavras!”.

Apesar deste rotundo fracasso vários foram os poetas que adoptaram este movimento e que elaboraram poemas cheios de... “sonhos”... Tão surrealistas que quando os lemos somos transportados para o mundo deles... Um mundo onde a lógica e o comum não vivem... Um mundo onde o inconsciente predomina... Um mundo onde nos perdemos e encontramos.

sábado, janeiro 13, 2007

O Surrealismo!


Tendo em conta, que me perguntaram o que raio é que o surrealismo tem a ver com a literatura, eu vou “postar”, em diferentes dias, vários artigos sobre o surrealismo. Claro que vai ser uma coisa muito “básica” pois muito irá ficar por dizer..

O Surrealismo:

Foi um movimento artístico e literário que apareceu primariamente em Paris, nos anos 20 do século XX. Encontra-se inserido no contexto das vanguardas que viriam a definir o modernismo. Fortemente influenciado pelas teorias psicanalíticas de Sigmund Freud, o surrealismo enfatiza o papel do inconsciente na actividade criativa. Os seus representantes mais conhecidos são: no campo das artes plásticas: Max Ernst, René Magritte e Salvador Dalí (Foto: Criança Geopolítica Assistindo ao Nascimento do Novo Homem, 1943); no campo da literatura: André Breton.

As caracteristicas deste estilo são: uma combinação do representativo, do abstrato e do psicológico. Segundo os surrealistas, a arte deve-se libertar das exigências da lógica e da razão e ir além da consciência quotidiana, expressando o inconsciente e os sonhos.

Na verdade o surrealismo “encontra-se em todo o lado, da literatura ao cinema” (contributo do Nelson ;)), modifica tudo, altera todos e “torna tudo mais interessante” (novamente o contributo do Nelson;)).

quarta-feira, janeiro 10, 2007

terça-feira, janeiro 09, 2007

Musica!

Não pretendo ferir susceptibilidades com a publicação deste vídeo, nem demonstrar nenhum tipo de ideologia religiosa. Andava a pesquisar e descobri-o...

Achei a sonoridade maravilhosa e a simbologia simplesmente fantástica. A música utilizada para transmitir uma mensagem forte...



Jerusalem - Matisyahu

In the ancient days, we will return with no delay
Picking up the bounty and the spoils on our way
We’ve been travelling from state to state
And them don’t understand what they say
3,000 years with no place to be
And they want me to give up my milk and honey
Don’ you see, it’ not about the land or the sea
Not the country but the dwelling of his majesty
[Chorus]
Jerusalem, if I forget you,
fire not gonna come from me tongue.
Jerusalem, if I forget you,
let my right hand forget what it’s supposed to do.
[Chorus]
Rebuild the temple and the crown of glory
Years gone by, about sixty
Burn in the oven in this century
And the gas tried to choke, but it couldn’t choke me
I will not lie down, I will not fall asleep
They come overseas, yes they’re trying to be free
Erase the demons out of our memory
Change your name and your identity
Afraid of the truth and our dark history
Why is everybody always chasing we
Cut off the roots of your family tree
Don't you know that's not the way to be
[Chorus]
Caught up in these ways, and the worlds gone craze
Don’t you know it’s just a phase
Case of the Simon says
If I forget the truth then my words won’t penetrate
Babylon burning in the place, can’t see through the haze
Chop down all of them dirty ways,
That’s the price that you pay for selling lies to the youth
No way, not ok, oh no way, not ok, hey
Aint no one gonna break my stride
Aint no one gonna pull me down
Oh no, I got to keep on moving
Stay alive

[Chorus]

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Crítica literária:D

E cá estou eu como prometido para dizer finalmente o que acho de “Henry e June – Do Diário Intimo de Anaïs Nin”... (afinal não é “o” é “Do”... :S)
Primeiro de tudo achei o livro bastante interessante mas se a bibliotecária o lesse ia ficar decepcionada... LOL... O erotismo da obra é explorado de forma subtil, quase como se fosse algo secundário... Afinal o que está em evidência é a personalidade da autora e a sua relação com Henry e June...
De facto, achei o livro simplesmente “delicioso” pois é evidente a influência do surrealismo francês e da psicanálise. E é devido a esta última que fiquei completamente “colada” ao livro... A personalidade da autora é totalmente dissecada nas sessões de psicanálise com Allendy... Estas sessões mostram-nos a verdadeira essência da personalidade em questão... Chegam a ser surpreendentes as conclusões expostas... Na verdade Anaïs é surpreendente, daí a beleza do livro... (Claro que isto é a minha modesta opinião, pode haver quem não concorde ;)...)
Mas não vou contar mais nada... Se quiserem leiam o livro... LOL... Recomendo vivamente ;) Quanto a mim, fiquei fã da autora por isso irei procurar ler mais algum dos seus livros...

Já agora, aqui fica uma carta “picante” de Henry para Anaïs...

“Deus me perdoe se esta carta alguma vez for aberta por engano. Não consigo evitá-lo. Quero-te. Amo-te. Tu és comida e bebida para mim, és todo o raio da Máquina da vida, deitar-me em cima de ti é uma coisa, mas aproximar-me de ti é outra. Sinto-me unido a ti, um só contigo, pertences-me quer isso seja sabido ou não. Cada dia que espero agora é uma tortura. Estou a contá-los lentamente, dolorosamente.
Mas vem o mais depressa que possas. Preciso de ti. Meu Deus, quero ver-te em Louveciennes, ver-te naquela luz dourada da janela, com o teu vestido verde Nilo e o teu rosto pálido, uma palidez gelada como a noite do recital. Amo-te como tu és. Amo as tuas ancas, a tua palidez dourada, a curva das tuas nádegas, o calor dentro de ti. Anaïs, amo-te tanto, tanto! Estou a ficar sem palavras. Estou aqui sentado a escrever-te com uma tremenda erecção. Posso sentir a tua boca macia fechando-se sobre mim, a tua perna apertando-me com força, voltar a ver-te aqui na cozinha levantando o vestido e sentando-te em cima de mim e a cadeira a andar pelo chão da cozinha, fazendo tamp, tamp,."
Henry

Henry e June - Do Diário Intimo de Anaïs Nin (Pag. 177)

sábado, janeiro 06, 2007

Para abrir o "apetite"...

Estou a acabar de ler o livro e para já digo-vos que é muito interessante... Brevemente direi porquê... Entretanto vou deixando uns trechos, para abrir o apetite:D


"Amo a tua vivacidade,
os teus preparativos para voar,
as tuas pernas como um vicio,
o calor entre as tuas pernas.
Sim, Anaïs, quero desmascarar-te.
Sou demasiado galante contigo.
Quero olhar para ti longamente e com ardor,
arrancar-te o vestido,
apalpar-te,
examinar-te.
Sabes que ainda mal olhei para ti?
Há ainda demasiada santidade presa a ti.
Não sei como te dizer o que sinto.
Vivo numa expectativa perpétua.
Tu vens e o tempo desliza num sonho.
É só quando te vais embora
que me apercebo completamente da tua presença.
E depois é demasiadamente tarde."


Henry e June - Do Diário Intimo de Anaïs Nin

sexta-feira, janeiro 05, 2007

...

"Todos os dias lhe digo
que não o posso amar mais,
e todos os dias
encontro mais amor em mim para ele."

“Henry e June – O Diário intímo de Anaïs Nin”

Manias!!;)

A Silvinha :D (Perde-te nos Teus Sonhos...) lançou-me este desafio, que remédio tenho eu em aceitar e mostrar a todos algumas das minhas maniazinhas:


1. Tenho a mania de organizar tudo ao mínimo pormenor, desde horas a locais por onde vamos passar, quando vou para algum lugar passar uns dias, férias ou afins...


2. Tenho a mania (tal como a silvinha... acho que é da profissão...lol) de guardar tudo, pois podem servir para futuros trabalhos...

3. Tenho a mania de acordar sempre alguns segundos antes do despertador tocar;

4. Tenho a mania que tenho sempre razão e não gosto de estar errada (acho que é mesmo o meu maior defeito...)

5. Tenho a mania de arrumar as roupas por cores, seja em gavetas, no guarda-roupa, etc...



"Cada bloguista participante tem de enunciar 5 manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue".

Lanço este desafio a:

Nelson:
http://percepcoestransfiguradas.blogspot.com/

Pika:

http://www.oblogspotdopika.blogspot.com/

Ruca:

http://www.manualdebordo.blogspot.com/

Porcelain Beauty:

http://shadow_serenity.blog.simplesnet.pt/

quinta-feira, janeiro 04, 2007

É só um livro!!!

Digo-vos... ontem foi um daqueles dias em que me ri com verdadeira vontade... Isto de ir requisitar livros à biblioteca tem o que se lhe diga...

Imaginem vocês... Eu ando um pouco farta de não ter nada para ler (muitos fumam, outros bebem, eu sou viciada em livros...) então decidi ir dar umas voltas pelo centro e aproveitei para passar na biblioteca... Andei lá às voltas com Voltaires e Balzacs, mas por algum motivo não me apetecia trazer nenhum livro destes autores... Após esta experiência falhada passei para a secção da literatura russa.. Também não me agradava nada... Entretanto chegaram umas adolescentes bastante entusiasmadas com alguma coisa e o silêncio que tanto aprecio desapareceu... A desordem não me agradou, afinal escolher um bom livro é como degustar um bom vinho... Mas enfim, que podia eu fazer...

Lá me entreguei novamente à procura de algo que me despertasse o interesse quando me lembrei que queria ler alguns livros de Anaïs Nin... Lá fui eu procura-los contudo, devo assumir que estava bastante convencida de que não ia encontrar nenhum... Mas com muito esforço lá encontrei dois: “Passarinhos” e “Henry e June.- O Diário intímo de Anaïs Nin”. Escolhi o segundo...

Mais umas voltas... Mais dois livros...

Contente com as escolhas lá me dirigi à bibliotecária, senhora muito simpática que já me conhece desde os 12 anos...

Após as típicas perguntas da praxe: “Ah e tal como vai o curso?”; “Ai já acabaste? E emprego?”... As míticas perguntas que toda a gente faz... Bem, após estas perguntas todas, ela começou a registar os livros... Bem... A cara dela quando viu o da Anaïs foi simplesmente surpreendente... Pousou o livro como se ele queimasse e olhou-me de esguelha como que a pensar: “Esta juventude está perdida... Quem diria... Parece uma santinha...” (em rasgo de explicação, devo dizer que Anaïs Nin é uma escritora de livros eróticos... Após a leitura do livro darei a minha opinião...)...

Vamos ser francos, o que há de tão anormal em ler um livro de cariz erótico??? Não consigo perceber o porquê de tanto espanto... É literatura como as outras... E a autora já ganhou diversos prémios, logo não deve ser assim tão mau... Aliás, se fosse, não estava lá... Porquê condenar o que se desconhece?

Não é de admirar que a sexualidade ainda seja tabu... Se um simples livro provoca esta reacção, imagino o que aconteceria se fosse algo mais “picante”... Será que tudo o que se relacione com sexualidade ainda é visto como algo a ser evitado, a todos os níveis? Ou terão as pessoas medo de lerem e gostarem? “Pior” ficarem com a libido “aos saltos”? LOL... Enfim... Ainda não estou em mim...

Mas continuo a dizer : É só um livro...

terça-feira, janeiro 02, 2007

Assim sou eu:D

Andava eu a passear pelo mundo dos blogs quando descobri este teste... Adorei... Se vocês responderem com sinceridade às perguntas o resultado coincide mesmo... Pelo menos no que diz aqui... E de facto, eu sou, entre muitas coisas mais, assim:


Você é uma sábia coruja!
A coruja é uma ave noturna, símbolo do conhecimento racional. Você é uma pessoa que gosta de estudar e fazer uma reflexão sobre todos os aspectos de sua vida. Seu dia a dia é bastante regrado. Ai, se alguma coisa estiver fora do lugar ou, dando errado. A coruja não gosta de arriscar e investe apenas naquilo que é certo para ela. Aqui vai uma dica: se você mergulhar no seu interior, descobrirá que tem grande percepção do oculto.

P.S- Eu adoro corujas... Quando fazia exames levava sempre uma comigo, até ela se partir e cair do fio... Nunca mais a encontrei :(... (todos têm as suas manias... esta era a minha ;))

O endereço é este: http://istoe.terra.com.br/planetadinamica/site/quizasp/animais/abre_animais.asp

sábado, dezembro 30, 2006

Feliz Ano Novo!!!

Passado o Natal chega o Reveillon ou Passagem de Ano...

O ano de 2006 está no fim e aproxima-se o começo de um novo ano... Para muitos o começo de um novo capítulo nas suas vidas... Eu incluo-me nesse grupo... Este ano foi um ano recheado de coisas boas e de coisas não tão boas... Digo isto, porque tudo acontece por uma razão e devemos ver as coisas mais desagradáveis como lições... Lições, que nos ajudam a crescer e a amadurecer... Consegui muita coisa e tenho de agradecer a muita gente por isso... Obrigado a todos os amigos que me apoiaram e que estão sempre disponiveis quando preciso... Obrigada a ti, que estás sempre a apoiar-me e me aturas com tanta paciência... E por fim obrigada aos meus Pais por tudo...

(Isto parece uma cerimónia da Entrega dos Óscars:D)

Espero que, para vocês, este ano que está a terminar tenha sido tão bom como foi para mim... Desejo-vos umas Boas Entradas cheias de animação e de música... Que o novo ano nos traga a todos as coisas com as quais sonhamos (no meu caso emprego:D e o rápido início das aulas de mestrado, já estou farta de descansar;))... Divirtam-se e cuidado na estrada:D

Feliz Ano Novo para todos!!!!

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Rostos!

Como sabem gosto de pensar no que me rodeia... E hoje apeteceu-me falar um pouco sobre o carácter do ser humano... Aconteceu uma coisa que me deixou a pensar muito e que me entristeceu bastante... A fragilidade do carácter do ser humano surpreendeu-me como nunca...

Por mais que pense e, tente perceber o que existe à nossa volta não consigo. Olho e o que nos rodeia não passa de um mar de rostos difusos… Tento perceber quem são mas, na sua maioria encontram-se cobertos por uma camada de névoa que os esconde e que apenas nos mostra o seu contorno.

É então que me apercebo que não consigo vê-los em profundidade e que é por isso que esse conjunto de rostos se encontra em constante mudança. São rostos que pretendem aparecer apenas por instantes e depois desaparecem deixando um rasto no nevoeiro. Tal como me disse uma grande amiga, estas são os colegas de circunstância, os conhecidos de circunstância e as amizades de circunstância. Pensei bastante nesta frase e, cheguei à conclusão que tinhas razão, sabes? Meras circunstâncias da vida juntaram um conjunto de rostos que se confundiram durante algum tempo… Esse tempo passou e os rostos desapareceram…

Olhando em volta apercebemo-nos que existem alguns, poucos, mas existem, que se mantiveram ao longo dos tempos que foram passando… É então que percebemos que aqueles rostos que realmente se importam estão lá… É então que nos apercebemos que aqueles rostos que se mostram mesmo na névoa são aqueles que ficam por mais tempo… Os outros já cumpriram a sua função e desapareceram...

Sim… Estamos rodeados por rostos que não conhecemos… Rostos encobertos…rostos difusos… Rostos que no fundo não nos mostram nada e principalmente não nos dão nada… Meros actores num mundo cheio de nevoeiro…

E quando ele se for, quem serão os que irão ficar? Quem é que realmente nos mostra o seu verdadeiro rosto? Mostraremos nós (o ser humano) o nosso rosto a todos?

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Recomendo : "Loving Annabelle"

Como nem só de Natal vive o Homem aproveitei estes dias para ver alguns filmes... Adoro cinema... e um bom filme para mim é como um bom vinho para um enófilo...

Para já o que mais me marcou foi “Loving Annabelle”... É uma história que gira em torno de uma professora de um colégio católico que se apaixona por uma aluna: Annabelle...

É sem dúvida um filme apaixonante... Apesar de ter um argumento pouco comum é um dos melhores romances que já vi... Retrata muito bem (a meu ver) os conflitos que surgem (ou que podem surgir) quando se começa a ter dúvidas sobre a sua própria sexualidade... A ética e a moral encontram-se bem exploradas e bem desenvolvidas...

Ao longo do filme encontramos um conflito latente entre o amor e a ética...

Um bom filme, um óptimo deempenho, um final surpreendente... Recomendo a todos aqueles que não têm ideias pré-concebidas... Aqueles que gostam de romances... E acima de tudo, aqueles que gostam de pensar sobre como as nossas decisões podem influenciar o nosso destino...

sexta-feira, dezembro 22, 2006

E porque estamos a chegar ao Natal!!

Conforme prometido aqui vai uma dissertação sobre o Natal...Lol... Estou a brincar...

Na verdade o Natal é a altura do ano que mais gosto... E não digo isto só para ser igual aos outros mas sim porque realmente gosto da festividade...

Claro que agora não tem a mesma magia que tinha quando era criança... Já não acredito no Pai Natal... Nem acredito que as prendas vão para o sapatinho por artes mágicas...Aliás sempre duvidei que o Pai Natal entrasse pela chaminé... “Ele é tão gordinho... Pensava eu... Não pode caber aqui...”. Esperta.... A minha mãe já não sabia que desculpa dar-me... Pronto que querem... sempre achei que os meus pais lhe iam abrir a porta...

Mas voltando ao que estava a dizer... Adoro o facto de ser uma festa para a familia, adoro o facto de nos juntarmos (sempre gostei de festas...), o facto de prepararmos tudo... A alegria...A conversa... E tal como me disse uma amiga: “Os pequenos pormenores: como a música, a decoração, as luzes...”... Tudo isto contribui para a magia do Natal...

Assim espero que todos tenham um Feliz Natal e que o passem junto daqueles que são importantes para vocês... Aproveitem a magia da quadra... Comam muitos doces:D (q.b.;))no fundo sejam felizes e façam os outros felizes...

FELIZ NATAL PARA TODOS... AH!! E MUITAS PRENDINHAS NO SAPATINHO LOL

terça-feira, dezembro 19, 2006

Tenho de comprar este livro!!

"O desejo criou uma ilha vulcânica onde eles ficavam deitados num arrebatamento, sentindo debaixo deles as vorazes subterrâneas, o espaço para dançar e a mesa e os "blues" magnéticos arrancados pelo desejo e as avalanches das vibrações do corpo.
Sob a pele delicada, os anéis de cabelo oculto e as montanhas e os vales de carne, escorria a lava vulcânica, o desejo incandescente, e onde queimava, as vozes dos "blues" que se cantavam transformavam-se num grito agudo e ardente, grito de prazer animal e de ave e grito de perigo e grito de medo e grito da criança ao nascer e grito de dor, do mesmo delta rouco dos poços naturais."

Anaïs Nin - Uma Espia Na Casa Do Amor

...

"As carícias da noite anterior
haviam sido intensamente maravilhosas,
como todas as chamas multicolores
de um engenhoso fogo de artifício,
irrupções de sóis e neons
explodindo no interior do corpo,
velozes cometas
dirigidos a todos os centros de prazer,
estrelas cadentes de profundas alegrias..."

Anaïs Nin - "Uma Espia Na Casa Do Amor"

domingo, dezembro 10, 2006

Sonhos...


Fecho os olhos

E eles vêm!!

O medo... a dor... os monstros...

Espectros alados de morte!

Mas que morte será esta?

Será talvez a tua? A minha?

Quem no fundo pode dizer o que resta

Quando ela lentamente caminha...

Abro os olhos...

Já não sou eu!

A solidão trouxe-me aos molhos

Um desalento... Uma ferida que doeu...

Na face pálida do destino

Descobri o meu caminho...

Vou fugir, vou gritar?

No fundo, vou ficar e lutar...

Vem lua brilhante!

Leva os espectros para longe...

Afasta de mim este humilhante

Sentimento que ruge.

Porque me queres solidão?

Que tenho em mim que procuras?

Vai-te... Deixa-me...

Que tenho em mim para amares?

Óh! Triste sina...

Ela vem... Ela conquista...

Não posso! Maldita folha negra

Que persegue, que insiste...

Abro os olhos e estás aqui!

Afinal era um sonho...

Um sonho mau que não almejo...

Um sonho triste que não desejo!

E.S 03-10-06

sexta-feira, dezembro 08, 2006

terça-feira, dezembro 05, 2006

Memórias...

"A Persistência da Memória" by Salvador Dalí

A memória... Ah! Como nos prega partidas... Porque será que escolhe os sonhos para se manifestar? Não poderá ela, deixar o nosso sono em paz? Não poderá ela deixar-nos ser felizes nos braços de Morfeu?

Sentimo-nos bem, quentinhos, adormecidos, esquecidos do mundo e de repente ela mostra-se como um verdadeiro furacão... Mostra-se na sua verdadeira cara... Mostra-nos como é cruel... É nesta altura que descobrimos que afinal é um pesadelo... Um pesadelo do qual não podemos fugir... Um pesadelo, onde se repetem vezes sem conta tudo aquilo que tentamos esquecer... Um pesadelo, do qual tentamos fugir mas não conseguimos sair do mesmo sitio...

Parece surreal, tudo muda constantemente, tudo se repete constantemente... e, coisas que julgavamos guardadas no fundo da grande gaveta que é a memória voltam... Distorcidas... Persistentes... Cruéis...

Finalmente acordamos mas, a angústia não passa... nem as lágrimas que escorrem silenciosamente pelo nosso rosto conseguem lavar a nossa alma... Os soluços parecem sofucar-nos, as mãos tremem e procuram desesperadamente agarrar-se a algo... Abrem e fecham no vazio como se pudessem agarrar o tempo e faze-lo voltar atrás...

É então que percebemos o porquê da persistência da memória... Nunca esquecer... aprender... guardar lições...


sexta-feira, dezembro 01, 2006

Dia Mundial de Luta Contra a SIDA

“Prevenção em destaque no Dia Mundial de Luta Contra a Sida
01.12.2006 - 19h04 PUBLICO.PT com agências

A prevenção, através do preservativo, educação sexual ou abstinência, esteve hoje em destaque em todo o mundo, quando se assinala o Dia Mundial de Luta Contra a Sida, uma doença que já matou 25 milhões de pessoas, desde o primeiro caso registado há 25 anos. O número de infectados com o VIH, o vírus responsável pela doença, continua assustador: 40 milhões. Só este ano foram registados 4,3 milhões de novos casos, segundo a ONUsida.

No dia que serviu para reforçar o alerta para a sida e para as formas de prevenção desta doença, fizeram-se anúncios para novos programas de luta contra o VIH, apelos a planos de acção aos dirigentes dos países mais afectados, campanhas de sensibilização nas ruas, com a distribuição de panfletos e preservativos e manifestações.
(...)
Com 25 milhões de pessoas infectadas, o continente africano concentra perto de dois terços dos seropositivos ou doentes pelo VIH no mundo (39,5 milhões), de acordo com o relatório da ONUsida deste ano.
(...)

Em Nova Iorque, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, apelou à “responsabilidade”, o tema do Dia Mundial de Luta Contra a Sida. “A responsabilidade exige que cada Presidente e primeiro-ministro, cada parlamento e homem político, decida e declare: ‘A sida para comigo’”, disse Annan, realçando que “a responsabilidade não é exigível apenas aos que estão no poder, aplicando-se a todos”.